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VELHO GATO SÁBIO

Os gatos são uma fonte inesgotável de conversa para quem, como eu, há muito se rendeu completamente à sua sublime beleza e ancestal sabedoria...

VELHO GATO SÁBIO

Os gatos são uma fonte inesgotável de conversa para quem, como eu, há muito se rendeu completamente à sua sublime beleza e ancestal sabedoria...

Mensagem de abertura

Caríssimos amigos, deixem aqui os vossos comentários, enviem "coisas de gatos" para o nosso e-mail: velhogatosabio@gmail.com e espreitem a página VGS no Facebook: Isabel Santos Brás (Velho Gato Sábio). Obrigada.

Citação sobre gatos em destaque

“Amo os gatos porque amo a minha casa e, a pouco e pouco, eles tornam-se a alma visivel.” Jean Cocteau

O Gato "Leopardo" de Bengala

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Parece um pequeno leopardo, não é verdade? Apresento-vos o gato de Bengala, mais uma raça fantástica, "criada" pelos seres humanos. Derivado ao facto de, infelizmente, os nossos pequenos amigos poderem ser atingidos pela FELV (leucemia felina), e dos felinos selvagens serem imunes a ela, em 1973 a Universidade Loyola de Chicago, nos Estados Unidos da América, financiou os estudos de genética do Dr. Willard R. Centerwall, o qual cruzou um pequeno leopardo asiático (de Bengala - região que abrange a Índia e o Bangladesh) com um gato doméstico. Embora a experiência não tivesse obtido o êxito pretendido, a verdade é que nascia assim uma nova raça de gatos. Foi preciso algum tempo para apurá-la: graças ao cruzamento de exemplares de gatos de Bengala com gatos com um carácter alegre e bastante dócil como o Abissínio e o Egyptian Mau, atingiu-se um equilíbrio e o standard da raça, a qual foi reconhecida por todas as federações felinas em 1991.

 

Metade gato, metade felino selvagem, não é o típico gato doméstico, embora se afeiçoe a um membro da família e possa ser muito dócil. Porém, ficam já avisados: tem as garras sempre prontas... É o gato ideal para quem é livre (aquela liberdade que vem do interior, entenda-se) e não se importa nada com a mobília. É o verdadeiro gato para quem ama os gatos: orgulhoso, independente mas ao mesmo tempo amável, quando assim o decide. A paciência é um requisito obrigatório para quem pretender como companheiro um Bengala. Deve dedicar-lhe muita atenção e ser muito ativo, correndo, lutando, e jogando às escondidas com ele, de outro modo aborrece-se e sabe-se lá as consequências que advirão daí.

 

Trata-se de um gato de tamanho grande, podendo atingir os 10 kg (macho) e os 6 kg (fêmea). Mantem certas características dos seus antecessores selvagens: cabeça pequena e alongada, orelhas largas na base, ponteagudas, bigodes longos. Os olhos são grandes e ligeiramente amendoados, podendo ser de várias cores, embora os gatos com olhos de cor ouro escuro como os leopardos, sejam os mais apreciados. As patas posteriores são mais compridas do que as anteriores e muito mais musculosas, sempre prontas para efetuarem saltos "acrobáticos". A cauda é curta e arredondada, com ponta de cor preta, bem como as pontas das patas. O manto de pelo é muito curto, incrivelmente macio, podendo apresentar as variedades brown ou black spotted tabby e snow leopard. De qualquer modo, as manchas de leopardo é que rendem esta raça única e são a característica que mais a distingue.

 

Ama a água, sendo um excelente nadador. O seu desporto favorito, como facilmente se depreende, é trepar às árvores e caçar. Por conseguinte, será desejável tê-lo numa casa com um quintal onde  possa, em segurança, exercitar-se. Se tiver de ficar dentro de casa, há que dotá-la de uma enorme quantidade de estímulos: bolinhas, peluches, rolhas de coriça atadas a cordéis, entre outros. É um solitário e muito territorial, pelo que não se dará bem com outros gatos nem com um cão, ou melhor, o pobre cão será um mártir. Em termos de alimentação, prefere alimentos frescos, de preferência peixe, carne de vaca ou frango, mas tudo "mal-passado".

 

O feriado da gata Oli

 

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Eis a Oli, a repousar neste feriado de 15 de agosto de 2017.

 

Ainda se podem ver os vestígios da intervenção a que foi recentemente submetida (esterilização), na barriguita e na patita. Contudo, tem recuperado bem e continua a saltitar de um lado para o outro da casa e do quintal. É um bocado "elétrica", normalmente não pára um segundo.

 

Talvez por isso, esta foto capta um momento raro de tranquilidade.

A contraceção dos gatos

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Esta semana, levei a gatinha Oli ao Veterinário para uma intervenção cirúrgica de esterilização. Felizmente correu tudo bem. Mesmo ainda exibindo o penso na barriguita, não se incomoda com isso e saltita à minha frente sem problemas. Não perdeu o apetite, pelo contrário, devora a comida num ápice e está ainda mais "pedinchona" do que antes. Provavelmente porque antes da intervenção teve de ficar 12 horas sem comer nem beber por causa da anestesia. Veio no mesmo dia para casa (existem casos em que ficam em observação na clínica por uma noite). Uma vez chegada em casa, dei-lhe muitos mimos e comida ligeira em pequena quantidade, tendo ficado no sofá em convalescença toda a noite.

 

Foi uma decisão tomada sem grandes hesitações. A Oli tem liberdade para andar no pátio e no quintal, locais de passagem de outros gatos da vizinhança, pelo que mais vale prevenir do que remediar. Algumas pessoas questionam-se se é ético submeter os seus companheiros gatos à castração (machos) ou esterilização (fêmeas). Claro que o ideal será sempre deixar a Natureza seguir o seu curso. Contudo, sejamos práticos. A menos que exista a possibilidade de providenciar às ninhadas de gatinhos um futuro, ou que o gato ou a gata tenha pedigree e se pretenda fazer criação, tais medidas são tidas como necessárias.

 

Nos machos, esta intervenção contribui para reduzir a sua agressividade, a tendência a vagabundear e o nauseabundo odor de urina com que marcam o território. A operação, executada sob anestesia geral, é priva de riscos e indolor, devendo ser praticada após os nove meses de vida. Antes disso é desaconselhável porque o incompleto desenvolvimento do pénis poderia provocar bloqueios urinários quando o gato chegasse a uma certa idade.

 

Nas fêmeas, a esterilização deve ser feita entre os quatro e os nove meses, a qual consiste numa extração dos ovários e de boa parte do útero, sob anestesia geral. É irreversível e não produz efeitos colaterais. Manter simplesmente as jovens gatas afastadas dos machos não resolve. Além do mais, as gatas virgens têm tendência a desenvolver quistos nos ovários e doenças uterinas. A esterilização é contraindicada quando as gatas possuem uma idade inferior aos três meses; quando se encontram na época do cio pois a alta taxa de hormonas no sangue aumenta a possibilidade de ocorrerem hemorrogias; e quando estão com mais de quatro semanas de gestação.

 

Como alternativa à esterilização, pode-se optar pelo uso da pílula contracetiva, sob a forma de injeção ou comprimidos, e por prescrição do veterinário,produzindo um efeito suficientemente duradouro. No entanto, salvo casos particulares de curta duração, a esterilização é preferível. O uso da pílula comporta algumas desvantagens: não pode ser tomada por gatas diabéticas; têm como efeitos colaterais, uma excessiva preguiça, aumento de apetite e aumento de peso; doses prolongadas no tempo aumentam os riscos de doenças uterinas.

 

Método anti formigas para gatos

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Ora cá temos a Oli empenhada no consumo da sua paparoca.

 

Que estranho aparato é aquele? Perguntam vocês. Trata-se de um simples método anti formigas que a minha amiga Ana me sugeriu. Principalmente nesta altura do ano, verdadeiros exércitos de formigas invadem o nosso pátio, pelo que os "comedouros" dos gatos tornam-se alvos certeiros de "ataques" diários por parte dos pequenos insetos. Um grande incómodo para os meus caros hóspedes felinos.

 

Com este método cria-se um "fosso" com água, sendo menos provável que as formigas consigam chegar à comida. Ainda que não funcione a 100% (porque muitas formigas continuam heroicamente a tentar alcançá-la, mesmo à custa de se afogarem), posso garantir que faz uma bela diferença. Assim, a Oli e o Tonecas já podem desfrutar do seu alimento com maior tranquilidade.

 

Mais um gato cá no pátio

 

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 Apresento-vos a Olívia ou Oli (como lhe chamo). Cruzou recentemente o meu caminho e agora faz par com o Tonecas cá no pátio. Estava tão magrinha e miava tanto que o meu coração condoeu-se logo. Dei-lhe papa e pronto, agora anda por aqui aos pinotes. Tem ar de marota, não tem? Por vezes é muito meiguinha, outras é uma endiabrada. Ainda é novinha mas muito espertalhona. Curiosa como todos os gatos e veloz como uma seta. Neste momento anda ocupada a explorar o seu novo mundo.

O nascimento de gatinhos

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Quem tem uma companheira gata em casa não esterilizada, sabe os riscos que corre de, mais cedo ou mais tarde, por muita precaução que se tome, ela acabar por dar à luz uma ninhada de gatinhos.

 

Sem dúvida que o nascimento, de qualquer espécie de seres vivos, é sempre um “milagre” da Vida. Quem é que consegue ficar indiferente perante o surgimento daqueles pequeníssimos seres (quando nasce, um gatinho mede cerca de 11 a 15 cm de comprimento e pesa entre as 70 e as 135 gramas), tão belos e frágeis?! Nascem cegos e surdos, com as pálpebras fechadas e as orelhas dobradas. Assim, não podendo ver nem ouvir, e não sabendo ainda caminhar, nas primeiras semanas de vida dependem inteiramente dos cuidados maternos. Nessa altura a ligação dos gatinhos com a mãe gata é forte. Ela até aceita amamentar gatinhos que não são dela. Quando começa a familiarizar-se com a sua própria prole é que tende a dedicar-se somente aos seus filhinhos. Duas semanas após o nascimento, a mãe gata e os seus pequenotes começam a comunicar entre si com sinais olfativos (esfregam o focinho), o que reforça ainda mais os laços entre eles.

 

Eis as mais importantes etapas do crescimento dos gatinhos. Começam a abrir os olhos entre os 5 e os 10 dias depois do nascimento. Abrirão completamente os olhos entre os 8 e os 20 dias. Até às 12 semanas os seus olhos possuem uma cor cinzento-azulada, começando a mudar de cor a partir dessa altura. São alimentados pelo leite materno até às 3 ou 4 semanas de vida, após o que começam a adquirir capacidade de digerir os primeiros alimentos sólidos (os dentes de leite surgem a partir das 8 semanas e os primeiros dentes permanentes entre as 12 e as 18 semanas). Entre os 21 e os 25 dias começam a caminhar, e passadas 4 ou 5 semanas já conseguem correr. Depois das 3 ou 4 semanas é a altura ideal para iniciarmos a treiná-los a utilizar corretamente a sua toilette. Aprendem a lavar-se e a brincar entre as 4 e as 5 semanas, e entre as 6 e as 8 semanas iniciam as práticas de caça.

 

Após oito semanas tornam-se mais independentes, começando a abandonar a mãe. Quando atingem os seis meses são já completamente independentes. Apesar de pertencerem à mesma ninhada, cada gatinho desenvolve-se de acordo com ritmos e tempos variados: enquanto alguns se tornam independentes bastante cedo, outros dependerão da mãe até mais tarde. O próprio desenvolvimento físico poderá variar de gatinho para gatinho. O mais pequenino será sempre o mais débil, pelo que deveremos estar atentos à necessidade de ser mais protegido.

 

Se os gatinhos são de raça, convém registá-los após 15 dias do seu nascimento. Quanto aos cuidados veterinários, após as 9 semanas devem ir levar as primeiras vacinas e regressar depois das 12 semanas para mais vacinas. No caso das fêmeas, se se optar pela esterilização, este procedimento poderá ser feito pelo veterinário após as 16 semanas, enquanto no caso dos machos a castração poderá ser realizada após as 36 semanas.

Gatos e cães amigos

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Permito-me hoje partilhar esta bonita fotografia (in www.mundodosanimais.pt), tão expressiva, e que ao mesmo tempo ilustra a destruição de mais um mito em torno dos gatos. Quem disse que os gatos não são nem podem ser amigos dos cães? Claro que todos nós conhecemos situações em que agem como se fossem inimigos mortais. Daí a expressão popular "brigar como cães e gatos".

 

De onde virá essa rivalidade? Muito provavelmente a "culpa" é do instinto. Tal como os gatos, os cães ainda conservam o legado dos seus antepassados selvagens, que antes de serem domesticados tinham de caçar para sobreviver. Por conseguinte, quando encontram um gato que reage com medo (fica todo arrepiado e foge), o instinto de caçador dos cães é acionado, pelo que a sua tendência natural será considerar o gato como uma presa, que perseguem com afinco.

 

Porém, se gato e cão foram apresentados desde cedo (o ideal será iniciar o processo de socialização entre os 2 e os 4 meses de idade), as probabilidades de conviverem na mesma casa de forma harmoniosa e pacífica são enormes. Há mesmo casos em que dormem e brincam juntos, e não vivem um sem o outro. Por isso, não desesperem os humanos que gostam de ambos e pretendem partilhar o seu lar com estes dois alegres companheiros. Com amor, dedicação e paciência, tudo se consegue na vida...

O relax do Tonecas

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 Lembram-se do Tonecas? Já lá vão cerca de quatro meses desde que ele passou a fazer parte da minha vida. Não sei nada sobre a sua origem, se tem outros Humanos a quem se dedica, se tem outro nome... só sei que ele para mim é o Tonecas, e que todos os dias, com raras exceções, me honra com a sua presença no pátio da casa.

 

Claro que vem pela paparoca que diariamente lhe ofereço! Mas não só. Adora miminhos e desses também não lhe falta uma dose quotidiana. A sua forma de me agradecer é ficando assim, em relax (o que significa que confia em mim) e rebolando-se, visivelmente satisfeito pelas atenções que recebe.

 

Perfeitamente merecidas. É um gato encantador.

Gatos e doenças de pele

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Quando o nosso caro amigo gato se coça, por vezes não podemos deixar de sorrir pelas posições engraçadas que assume. Porém, pode ser indicador de algo sério: doenças de pele. Estas podem ser devidas a parasitas ou não. Há que estar atento, sempre que se escova o seu pelo, para detetá-las atempadamente e recorrer a tratamentos  específicos consoante a gravidade da situação. E claro, prevenir é sempre melhor que remediar. Os conselhos de um veterinário são importantes para determinar quais os produtos antiparasitários mais adequados.

 

As mais comuns são as infestações de pulgas. O gato é facilmente "atacado" por estes parasitas. A pulga (Ctenocephalides felis) é perigosa porque, para além de causar danos na pele, pode ser portadora de larvas de ténias ou de certos vírus. Uma infestação de pulgas é notória pelo facto de levar o gato a coçar-se ou a contorcer-se furiosamente. Podemos ainda observar na pele do animal, pequenos pontos negros semelhantes a grânulos de carvão, que são as fezes dos insetos. Outro sinal da presença de pulgas é o aparecimento de furúnculos rosáceos, escuros no centro, sobretudo na espinha dorsal que é a zona é mais sensível às substâncias proteicas produzidas pela saliva das pulgas.

 

As infestações de carraças são igualmente nocivas para o animal, causando-lhe anemia, pois sugam o sangue. Este parasita (Ixodes) fica de tal modo inchado que parece um bago de uva, sendo fácil confundi-lo com um cisto ou um tumor cutâneo. Como o seu aparato bucal permanece agarrado ao estrato cutâneo do pequeno felino, é necessário muito cuidado na sua extração, uma vez que se poderá arrancar o corpo mas não o aparelho bucal cravado na pele, e isso provocará um abcesso na pele. Deverá ser usada uma gota de clorofórmio ou de éter, esperar que o aparelho bucal se destaque da pele, e finalmente remover a carraça inteira com uma pinça. Uma vez removida a carraça, o gato deve ser tratado com um antiparasitário apropriado.

 

Também é possível surgirem no gato infestações de piolhos, concentradas mais frequentemente na cabeça mas podendo estender-se a todo o corpo. O piolho (Felicola), grande como a pulga, pode causar debilidade e anemia no animal, já que existe um tipo de piolho que suga igualmente o sangue.

 

Outro parasita que causa danos na pele dos gatos, nomeadamente inflamações cutâneas e perda de pelo, é o ácaro da sarna. A espécie de ácaros mais difusa é Notoedres que se aloja no interior da pele, em especial da cabeça e das orelhas, provocando dermatites.

 

Algumas dermatites ou inflamações cutâneas são devidas a outros fatores como bactérias, alergia a certos alimentos, contacto com substâncias químicas irritantes, queimaduras solares, carências vitamínicas ou disfunções hormonais. Neste caso, não se deve aplicar uma qualquer pomada sem ser receitada pelo veterinário. É frequente os gatos lamberem a pomada e isso pode ser ainda mais prejudicial para eles. O melhor é cortar o pelo em redor da área afetada, limpar a pele com água tépida, desinfetar com um antisético ligeiro e enxugar bem. Se o gato começar a lamber ou mordiscar a parte afetada, colocar um colar. Pode-se comprar um já pronto ou fazer um a partir de um cartão cortado em forma de cone, fixá-lo em volta do pescoço do gato e fechá-lo com fita adesiva. Contudo, será sempre conveniente levar posteriormente o gato ao veterinário.

 

A terceira pálpebra dos gatos

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    Foto Freepik

 

O que é que os gatos têm em comum com os vulcanos? Pergunta estranha, pensam vocês. Talvez para a maioria. Mas se forem trekkies ou trekkers (para os que se ofendem facilmente com a designação anterior), como eu, vão chegar lá.

 

Nós, fans da série Star Trek, recordaremos certamente o episódio em que Mr. Spock (o famoso híbrido Vulcano/Humano, que começou por ser oficial de ciências, depois primeiro oficial e finalmente oficial comandante da nave Enterprise) arriscou ficar cego por ter sido exposto a uma imprevista e intensíssima luz que servia para eliminar um organismo alienígena. O enigmático cientista salvou-se da cegueira porque os seus olhos foram protegidos por uma terceira pálpebra.

 

Teriam os guionistas da série se inspirado nos gatos? É que se os observarmos a dormir, por vezes, quando mantêm a pálpebra principal ligeiramente elevada, podemos ver uma terceira pálpebra. Porque será que os gatos (tal como os vulcanos) possuem este elemento extra? Porque ao contrário de nós, os gatos não necessitam de fechar as pálpebras para humedecer os olhos. Trata-se de uma vantagem importante para, durante as caçadas, não perderem de vista as suas presas nem por um segundo. Assim, para assegurar a correta humidificação dos olhos, os gatos possuem uma "pálpebra nictitante" (do latim nictare que significa "piscar ou pestanejar"). Esta membrana retrátil de cor branca, situada no ângulo ocular lateral, produz uma película lacrimal que se distribui sobre toda a superfície da córnea, protegendo o globo ocular e facilitando a sua limpeza, ao remover os corpos estranhos, como poeiras por exemplo, que aí se tenham depositado.

 

Atenção: se esta pálpebra nictitante permanecer visível quando o vosso gato estiver desperto, com os olhos abertos, é melhor levá-lo ao veterinário. Pode ser indicador de um mal estar ou mesmo doença.

 

O gato na cultura indiana

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Representação da deusa Shashthi-Devi (in www.br.pinterest.com)

 

Voltamos a propor uma viagem na máquina do tempo para "espreitar" como era considerado o gato em outras culturas antigas. O gato era venerado de acordo com modalidades diversas, quer como animal dotado de poderes particulares, quer como símbolo de energias superiores. Em muitos casos, os grandes felinos, como os tigres, leões e panteras, conquistaram a mesma simbologia do gato doméstico, sendo equiparados a este último.

 

Desta vez vamos até à Índia. Na religião hinduista, Shashthi-Devi, adorada sobretudo em Bengala, é a sexta encarnação da Mãe Terra. Em sânscrito escreve-se षष्ठी que significa literalmente "seis". O seu nome é Deva Sena, consorte de Subramanya Swami (Kumaraswami). É a deusa da maternidade que protege a gravidez, o parto e as crianças. Acredita-se que ela está sempre detrás das crianças, tomando conta delas e ajudando-as a crescerem saudáveis e a terem longividade. Quem ler, escrever ou escutar as suas histórias será abençoado com crianças. É ainda a deusa da vegetação e reprodução. É representada como uma figura maternal, segurando uma ou mais crianças, e cavalgando um enorme gato que simboliza a proliferação.

 

Outra deusa adorada sobretudo em Bengala, é a deusa Durga. É representada com oito braços, carregando armas e assumindo mudras ou gestos simbólicos com as mãos. Cavalga o seu animal sagrado, o tigre (por vezes também o leão), que representa a energia criativa feminina. Em bengali Durga escreve-se দুর্গা e em sânscrito दुर्गा, significando literalmente "a inacessível" ou "a invencível". Também conhecida como Maa Durga ("Mãe Durga"), é uma forma de Devi, a "Mãe Divina", a deusa suprema. Assume igualmente outras formas como Parvati, a esposa de Shiva, e Kali, outra manifestação de Parvati. Nasceu por vontade de outros deuses, entre os quais Shiva, com a missão de combater o demónio Mahishasura, que não podia ser derrotado nem por homens nem por entidades celestiais. A deusa Durga, sendo uma mulher guerreira, conseguiu matá-lo com o seu tridente. Existe uma vasta literatura que narra a sua gesta.

 

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Representação da Deusa Durga e o seu tigre Damon (in www.br.pinterest.com)

 

Na Índia encontram-se ainda estátuas de gatos ascetas que representam a beatitude do mundo animal, e o gato é considerado igualmente o aspeto de Yogini Vidali. Vidal em sâncrito é um sinónimo de gato. Narasimha, quarta encarnação do deus Visnù, é representado com corpo humano e cabeça de leão. A sua tarefa era derrotar um demónio que não podia ser morto por um deus, um homem ou um animal. Narasimha, o "Homem Leão" não era nenhum deles mas possuia as três naturezas, pelo que foi capaz de triunfar sobre o demónio.

Yoga com gatos

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Foto do Cat Café de Fabiana Ribeiro, em Sorocaba, no Brasil.

 

Esta é uma ideia que pode começar a ter adeptos: praticar Yoga na presença dos nossos pequenos felinos. Não obstante a prática do Yoga requeira concentração. Pessoalmente, acho que dificilmente conseguiria estar concentrada sentindo amiguinhos peludos em meu redor. Passaria o tempo todo a querer tocá-los e dar-lhes mimos, mas é tudo uma questão de experimentar e habituar.

 

A verdade é que os gatos são mestres da flexibilidade e da serenidade que o Yoga, entre outras coisas, proporciona. Observá-los e procurar imitar os seus graciosos movimentos, sentir as suas vibrações positivas, traz com toda a certeza grandes benesses. Aliás, uma das asana mais populares no Yoga é precisamente a Marjariyasana, ou a posição do gato. Trata-se de uma combinação simples de exercícios, que ajuda a alongar as costas (aliviando dores), a fortalecer os músculos do abdómen e das costas, a aumentar a coordenação e a energizar o corpo. E os benefícios não se ficam por aí: estabiliza o sacro diminuindo as dores na região lombar; alonga a coluna vertebral, aumentando o seu tónus muscular; massaja e estimula os rins e o útero; tonifica a tiróide e paratiróide, é benéfica para os cardíacos e hipertensos; alivia o stress e acalma a mente, criando um equilíbrio emocional e diminuindo a fadiga física.

 

Inicia-se apoiando as mãos e os joelhos no chão. Posiciona-se os joelhos à altura das ancas e as mãos ligeiramente mais à frente do que os ombros, mantendo as palmas bem abertas, os dedos paralelos, e os dos pés virados para baixo. Com uma inspiração profunda, levanta-se lentamente o peito em direção ao teto, deixando a barriga pender para o chão. Pode-se olhar para a frente ou para o teto, mantendo os ombros para baixo. Com a expiração, alongar a coluna em direção ao teto, envolvendo ao mesmo tempo os músculos do abdómen para puxar a barriga para trás, e mergulhando a cabeça e queixo em direção ao peito. Permanecer, sentindo a expansão através das omoplatas. Repetir a sequência algumas vezes, concentrando na respiração: inspirar e expirar de forma lenta e fluida.

 

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O gato Tonecas

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Este é meu primeiro amiguinho gato, desde o meu regresso a Portugal. Apresento-vos o gato Tonecas. Adoptou-me há umas semanas. É um gato de rua que resolveu honrar-me com a sua presença regular durante algumas horas no pátio da casa onde habito atualmente.

 

Eis uma ideia para reaproveitamento de acessórios de mobiliário. Como este bloco de gavetas era complicado de montar, tomei a decisão de prescindir dele na respetiva secretária e transformá-lo na caminha do Tonecas. Ele agradeceu-me logo com umas marradinhas e ao que parece gosta de lá estar. Pelo menos fica mais abrigado: quando está sol goza o calorzinho na gaveta, quando faz frio ou chove pode recolher-se no compartimento interior.

Gatos e Petshops

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 Abriu ontem em Leiria uma nova loja de animais, ou Petshop como é mais fino designar. Trata-se da filial da "Goldpet", com sede na Caranguejeira (concelho de Leiria), situada no final da Rua Dr. Américo Cortêz Pinto.

 

Tendo passado por ali resolvi entrar, cheia de curiosidade para ver que género de artigos dispõe para os nossos amigos gatos. Achei a loja bonita e encontrei algumas coisas giras e diferentes em relação a outras lojas, o que significa mais escolha. Gostei particularmente de um comedouro em forma de peixe com duas tacinhas inox amovíveis que se encontrava exposto na montra.

 

Mas o que na realidade mais me encantou foi o magnífico exemplar de gato que estava tranquilamente refastelado numa das boxes. Era um gato adulto, enorme, um mix de British Shorthair e de Scottish Fold com um denso manto de pelagem cinza e olhos amarelos vibrantes. Não estava à venda, apenas pousava como star para atrair clientes na inauguração.

 

Se é algo que me incomoda é continuar-se a permitir que as petshops exponham e vendam animais em espaços reduzidos e nem sempre nas melhores condições (não era o caso da Goldpet mas já vi coisas absurdas). Bem sei que aquelas lojas específicas estão ali para lucrar com o comércio de animais, o que só por si já é complicado de aceitar: os animais são seres vivos, não mercadoria! Mas será que não poderia haver uma legislação e fiscalização mais apertada em relação a isso? Ou seja, as lojas para venderem animais deveriam ter determinadas dimensões, de maneira a que as boxes sejam grandes, disponham de boa climatização, de excelentes condições de higiene e de conforto para os bichinhos. Além disso, seria desejável que as lojas dessem alguma contrapartida social: ok vendem animais para lucro, mas porque não ajudarem igualmente de forma gratuita as associações de defesa dos animais nas campanhas de adoção de animais abandonados?

 

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44 Gatti