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VELHO GATO SÁBIO

Os gatos são uma fonte inesgotável de conversa para quem, como eu, há muito se rendeu completamente à sua sublime beleza e ancestal sabedoria...

VELHO GATO SÁBIO

Os gatos são uma fonte inesgotável de conversa para quem, como eu, há muito se rendeu completamente à sua sublime beleza e ancestal sabedoria...

Caríssimos amigos gatófilos e demais visitantes

Deixem aqui os vossos comentários, enviem "coisas de gatos" para o nosso e-mail: velhogatosabio@gmail.com e espreitem a página VGS no Facebook: Isabel Santos Brás (Velho Gato Sábio). Obrigada pela vossa visita. Voltem sempre!

Citação sobre gatos em destaque

“Eu poderia viver sem muitas coisas neste mundo. Mas não poderia viver sem a delicadeza e subtileza dos gatos” Amara Antara

Comidinha para gatos: o que escolher?

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Tenho reparado nas conversas das redes sociais que alguns humanos que hospedam gatos, sentem algumas dúvidas relativamente às escolhas no que toca à comidinha para os seus pequenos felinos.

 

Absolutamente legítimas. Primeiro porque queremos sempre o melhor para eles. Depois porque o mercado atualmente oferece uma tal vasta gama de escolhas, quer de secos quer de húmidos, sem esquecer os snacks e complementos, que é realmente sensato questionarmo-nos qual será a melhor opção tendo em conta a relação qualidade/preço. Obviamente que o ideal será aconselharmo-nos com um veterinário de confiança. Este, em função do tamanho, peso, condições de saúde e estilo de vida (se o gato é mais ou menos ativo), estabelecerá um programa alimentar equilibrado, que vai ao encontro das necessidades nutricionais do nosso bichano. Porém, e porque infelizmente temos sempre que fazer contas à vida, nem sempre será viável seguir à risca as recomendações do veterinário e adquirir alimentos para gatos de marcas XPTO.

 

Os gatos da minha avó materna, que vivia no campo, comiam os restos do que havia e como suplemento caçavam os ratos do celeiro e dos estábulos. Lá se safavam e os restos nunca lhes fizeram mal (sabiam-lhes era a pouco!). Os da minha avó paterna, que vivia na cidade, andavam mais por casa e não tinham tantos roedores à disposição. Também nunca souberam o que era rações próprias para gatos, comiam as sobras da cozinha e chamavam-lhe um figo. Mas eram outros tempos. A comida dos humanos, sobretudo da minha avó do campo era muito mais biológica e os ratos não comiam veneno. Hoje em dia discute-se se alimentar os nossos companheiros gatos com a nossa comida é ou não é aceitável. Há quem sustente que o metabolismo dos gatos é diferente do nosso e por conseguinte nem sempre conseguem digerir o que ingerimos. Também não precisam de tantos hidratos de carbono como nós, conseguindo manter mais estáveis os níveis de glicose. Outros há que afirmam que para os gatos poderemos cozinhar (à parte, naturalmente) um bocadinho de carne e de peixe magros, com pouco sal e poucas gorduras, acompanhados de algumas verduras e cereais cozidos ao vapor.

 

Com o corre corre dos nossos dias, é mais simples e prático dar rações secas e húmidas. Podemos adquiri-las diretamente nos supermercados ou Pet Shops ou até mesmo beneficiar dos serviços de entregas ao domicílio e encomendar a partir de inúmeros sites na Internet. A Deco aconselha o uso da ração seca (cerca de 100 gramas diárias para gatos com 5 kg), pois estimula o consumo de água e ajuda a prevenir o tártaro nos dentes. A ração húmida deve ser dada somente duas ou três vezes por semana porque é mais condimentada e mais gordurosa. As marcas mais bem cotadas são naturalmente as mais caras como por exemplo a UItima, a Royal Canin Indoor, a Purina One e a Libra, mas a Activ Pet Adulto Cocktail de Carne que se vende no Pingo Doce também tem uma boa relação qualidade/custo. Com as marcas mais económicas, arriscamos eventuais carências nutricionais.

 

Assim, de acordo com as nossas carteiras mas também um bocadinho de bom senso, lembrando-nos da máxima dos antigos latinos "aurea mediocritas", ou seja no meio é que está a virtude, escolhamos o melhor que pudermos para termos gatos felizes e saudáveis e nós seremos igualmente  felizes e saudáveis. 

  

Mais um filme com um gato para o Natal

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 Neste final de ano, são boas as surpresas que a sétima arte reservou aos nossos pequenos felinos: além do Gato Bob (a star do filme A Street Cat Named Bob, em exibição), mais um filme onde o gato é protagonista "invade" os ecrãs do cinema.

 

Trata-se do filme Nine Lives, realizado este ano de 2016 por Barry Sonnenfeld, e que conta com a interpretação de Kevin Spacey, Jennifer Garner, Christopher Walken, Robbie Amell e Malina Weissman, nos principais papéis. O filme conta a estranha experiência de Tom Brand, que sofre um acidente. Ao recuperar a consciência dá-se conta de estar num corpo que não é o seu, mas o de um gato. E logo um animal pelo qual Tom Brand nunca sentira qualquer afeto! Claro que irá passar por diversas peripécias e ver a vida de uma nova perspetiva.

 

Um novo amiguinho: o gato Mia

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Que maravilha, cá estou eu com um novo amiguinho gato!

 

Este é o Mia, um pequeno felino de três meses, hospedado por um casal amigo aqui da Itália. É fofinho e engraçadinho, naturalmente como o são todos os gatinhos. Além disso, é muito meigo e mimado. Na foto posa como um modelo, vestido com a camisola do peluche "Winnie Pooh" do seu humano mais novo.

 

Para mim, travar conhecimento e criar laços de amizade com gatos e seus humanos, é sempre uma alegria e um prazer inigualáveis. Somos ou não somos uma "família" - gatos e gatófilos - fantástica?

 

O gato Ragdoll

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É absolutamente belo e adorável,  um companheiro ideal para quem, como eu, adora peluches. Ele próprio parece um peluche. A sua raça é de origem americana, fruto de um cruzamento de uma gata branca Angorá chamada Josephine. A primeira criadora foi a senhora Ann Baker, da Califórnia, que em 1975 fundou a  IRCA – International Ragdoll Cat Association. A raça foi designada “Ragdoll” devido ao facto de que, quando se encontra num estado de completo relax, o gato assume posições curiosas como se fosse uma boneca de pano (“ragdoll” em inglês).

 

É um gato extremamente dócil, que quase se esquece que possui garras. Procura constantemente os mimos dos seus humanos: ama ser agarrado e mantido nos braços, onde se abandona e fica mole como uma gelatina, ronronando de plena satisfação. Se o elogiam e o chamam com nomes carinhosos, responde com uma “vozinha” em falsete, grato por toda a atenção que possa receber. Suportará qualquer incómodo, desde que possa estar sempre junto do seu humano preferido, sendo um dos poucos gatos que pode ser adestrado para sair à rua e caminhar com a trela. De natureza tranquila, muito paciente e seráfico, é de grande utilidade para a Pet Therapy, beneficiando especialmente os idosos doentes, as crianças problemáticas ou portadoras de deficiência, e em geral, as pessoas com distúrbios psicológicos. Detesta estar sozinho, por isso se não é possível trabalhar em casa, o melhor é arranjar-lhe um companheiro, que pode ser um cão na condição que seja igualmente muito tranquilo. No mínimo, compre-se-lhe um peluche semelhante a ele.

 

Possui um corpo longo e robusto, revestido por um manto de pêlo espesso de comprimento médio. A cabeça é ligeiramente cuniforme, com olhos oblíquos de cor azul e nariz curto. As patas são de tamanho médio e os pés muito largos e redondos. O corpo termina numa cauda longa e bem proporcionada. Existem três diversas combinações cromáticas de pêlo: Bicolor de cor pálido, com focinho, orelhas e cauda escuros, e pescoço, peito e patas brancas; Colourpoint, com o corpo de cor pálida com zonas escuras; e Mitted, como o precedente mas com o peito e pescoço brancos e patas claras. As cores dominantes são: o castanho-foca, o chocolate, o azul e o lilás.

 

Convém ser escovado regularmente (coisa que adora, pois deste modo torna-se o centro das atenções), para manter o manto de pêlo limpo e sedoso. Uma vez agradado de um alimento, não quererá outro, pelo que deve ser habituado desde gatinho a uma alimentação variada. O seu peso necessita estar sob controlo, pois apesar de comer pouco tem tendência a engordar. Não é que seja propriamente preguiçoso mas é menos ativo e gosta de poupar energia. É igualmente importante monitorizar bem as suas eventuais saídas de casa, porque a sua excessiva confiança nos humanos, imprudência e distração, não lhe permite aperceber-se dos perigos que corre na rua.

 

Gatos à janela

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   Foto Isabel Brás, 2016

 

Adoro ver gatos à janela! É um daqueles prazeres que tenho na vida, que não engordam, não são ilegais nem imorais. Bem, é verdade que se poderá dizer que não é muito ético da minha parte andar a espiar e a fotografar o gato branco da vizinha. Mea culpa. Mas não resisti. Cada vez que vou à minha janela da sala lá está ele, o “branquinho”, como lhe chamo pois não sei o nome que os seus humanos lhe atribuiram. É absolutamente maravilhoso observá-lo, enquanto ele próprio se dedica a observar atentamente o tráfego de pombos e outros pássaros que diariamente cruzam os céus entre os nossos prédios. Ainda bem que a sua humana é previdente e colocou redes na janela. Não sei se ele não se conteria ao ver um voo rasante de uma daquelas aves e não voaria também do sexto andar.

 

Há quem passe horas infinitas no birdwatching, eu poderia passar dias no catwatching sem me cansar. Nunca me considerei uma pessoa fanática por coisa alguma, exceto talvez com os gatos. Não há nada a fazer. Está-me no ADN.

Gatos de pão

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Neste nosso mundo existem inúmeras pessoas cheias de talento e criatividade. Não sendo o meu caso, sinto-me no entanto muito grata por poder admirar e apreciar a cada dia tantas extraordinárias manifestações do génio humano, desde as grandes obras de arte até às pequenas maravilhas feitas com materiais do quotidiano.

 

Como as esculturas de pão, por exemplo. Mais concretamente os “gatos de pão”, como este que fotografei de um interessante livrinho que recentemente me veio parar às mãos. Chama-se Nuove Sculture di Pane, escrito por diversos autores sob a direção de Renzo Zanoni, editado em 2002 (6ª ed.) pela Giunti Gruppo Editoriale, Firenze, sob licença de Demetra s.r.l.  Entre os diversos modelos, eis um dos gatos que escolhi para vos mostrar, idealizado e realizado por Nicoletta Peloso.

 

Como se faz? Primeiro deve-se  preparar a pasta branca: numa taça mistura-se farinha de boa qualidade, tipo 00, e a mesma quantidade de sal: por exemplo, 1 kg de sal para 1 kg de farinha. Junta-se água e vais-se trabalhando a pasta com as mãos até esta absorver toda a água e atingir uma boa consistência. Não utilizar o sal marinho cristalizado, pois torna a escultura demasiado porosa e o resultado final não fica bonito. É melhor usar sal fino que pode mesmo ser triturado até ficar ainda mais subtil. Forma-se uma bola que se coloca sobre a mesa de trabalho, amassando-se bem como se fosse realmente para fazer o pão, por cerca de 10 minutos ou mais. A qualidade do modelo final dependerá muito do facto da pasta ter sido trabalhada por longo tempo e se tenha misturado bem a farinha e o sal.

 

Depois prepara-se o desenho do gato e cobre-se com papel vegetal, fixando-o ao tabuleiro de ir ao forno. Para fazer o corpo e a cabeça do gato, modela-se uma folha de pasta com 5 mm de espessura, seguindo os contornos do desenho. Para dar volume preenche-se com papel de alumínio e cobre-se com mais pasta. Para poder pendurar o modelo, introduz-se na pasta um gancho metálico. Modela-se a coxa posterior, depois as patas anteriores sobrepostas, traçando-se as unhas com uma lâmina, e finalmente a cauda. Segue-se o focinho, modelando-se o contorno num pedaço de pasta, juntando-o ao corpo, e separando-se as bochechas com a lâmina. O nariz é feito com uma bolinha de pasta, os olhos são traçados com um palito, enquanto dois pedacinhos de pasta modelados formam as orelhas de gato. Terminada a escultura, coloca-se a enxugar no forno pré-aquecido a baixa temperatura por um tempo longo. Depois de arrefecido, pinta-se o modelo e cobre-se com uma camada de verniz hidrorepelente para proteger da humidade e conservar as caraterísticas da pasta.

 

Parece fácil, não é? Vamos lá ver...que tal experimentarem fazer um “gato de pão” nestes próximos dias? Bom divertimento e bom fim de semana.

 

Gatos heróis: o caso de Jake

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Não obstante ainda subsistam alguns preconceitos erróneos em considerar os gatos inaptos a atos heróicos, as histórias de gatos que revelam uma notável coragem felina são mais comuns do que se possa imaginar.

 

É o caso do gato Jake, que a agência Reuters divulgou nos finais dos anos 90. Jake era um gato que vivia com a sua humana em San Diego, nos Estados Unidos da América. Uma noite, enquanto dormiam, um homem arrombou a porta e introduziu-se furtivamente em casa. Quando chegou ao quarto da senhora, Jake surpreendeu o intruso saltando-lhe sobre o ombro e atacando-o com toda a força. O homem gritou quando sentiu as unhas afiadas de Jake cravarem-se nos braços e nas costas, lacerando-lhe dolorosamente a carne. A senhora entretanto acordou com os gritos, e o homem apressou-se a tapar-lhe a boca e a ordenar-lhe de não gritar, mas ela mordeu-lhe a mão e ele acabou por fugir. Jake, mesmo com os seus 18 anos, agiu rapidamente e agrediu o transgressor salvando a sua humana.

 

A história de Jake é uma entre muitas de gatos que puseram em fuga malfeitores que tentaram assaltar as casas dos seus amigos humanos.

 

(In LALAND, Stephanie, “Animal Angels”, 1998)

 

Aprender com os gatos e todos os animais

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Os animais vivem com a natureza e portanto tornam-se parte dela; fazem-no com dignidade, sem deixar atrás de si um rasto de destruição quando atravessam as florestas, os montes e os cursos de água. Os seres humanos podem aprender tantíssimo com tais extraordinárias criaturas. Elas pertencem à “casa” sobre a Terra tanto quanto nós, e é necessário proteger-lhe os direitos.

Tippi Hedren

 

Esta é a mensagem que quero partilhar hoje aqui convosco, meus queridos visitantes, tanto pela sua maravilhosa “poesia” quanto pela sua absoluta pertinência sobretudo nos dias de hoje.  Uma sociedade humana como a nossa contemporânea, que se considera dona e senhora da Terra acima das suas leis naturais, que venera o lucro acima de tudo, e que se recusa a respeitar os habitats e os seus co-inquilinos e a aprender com eles, não é digna de habitar este espantoso Planeta Azul. Se não arrepiar caminho estará inevitavelmente condenada à auto destruição, como aconteceu com antigas civilizações há muito desaparecidas e substituídas por outras.

 

Deixemos estar por um momento as coisas engraçadas que os gatos fazem, e que tanto nos divertem através dos milhares de vídeos e fotos que populam a Internet. Os gatos, como todos os animais, são sábios na sua simplicidade e mensageiros da sacralidade da Vida. Muitos agem frequentemente com uma tal dose elevada de altruismo, compaixão e amor, que faríamos bem em aprender com eles e imitá-los; viríamos considerados quase como os santos. Eu cá já me contentava em aprender a transcorrer a Vida com a sua serenidade...

Diz-me que gato tens e dir-te-ei quem és

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Gato que dorme sempre - possuis capacidades criativas ambivalentes: ou são escassas ou exageradas. Em ambos os casos , o efeito surtido , ou por aborrecimento ou por stress,  é sonífero.

 

Gato tímido - tens uma certa predisposição para causar embaraço nos outros. Pode ser determinado ou pelo teu aspeto físico ou por qualquer comportamento que tende a invadir excessivamente a privacidade alheia.

 

Gato caçador - és fortemente agarrado às tradições e bastante perplexo perante as novidades. O facto é que julgas insensatos os usos e costumes dos outros.

 

Gato viciado - és uma pessoa convencida de que "marca" e "griffe" são elementos fundamentais para a aceitação e a aprovação dos outros. Os outros, por sua vez, quando se apercebem desta tua fixação, acabam por aproveitar-se.

 

Gato expansivo e que adora mimos - és particularmente equilibrado/a e fatalista. Dos outros não esperas nada de especial, senão auilo que te possam dar. Vives bem assim ,mesmo se te enganam.

 

Gato preto - espíritos samaritanos como tu, circulam por aí pouquíssimos. Procuras ajudar quem quer que seja, e estás-te nas tintas para os vários preconceitos. Algumas vezes, por excesso de zelo, corres o risco de meteres-te em sarilhos.

 

Vários gatos - amas a companhia e desejas ter sempre "movimento" à tua volta. O desejo que tal aconteça é de tal modo forte que no fim de contas transcuras o pormenor mais importante: fazer com que também os outros estejam bem junto de ti.

 

(tradução adaptada de minha autoria de textos selecionados de BONISTALLI, Roberto, "Dimmi che animale hai e ti dirò chi sei", Prato: 2007, 5ª ed., Demetra, Giunti Editore S.p.A., pp. 4, 7, 8, 9, 15, 21, 23)

 

Gatos e Artistas

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 Eis um interessante artigo que li sobre gatos e artistas e que passo a transcrever:

 

"A natureza fugidia e auto suficiente dos gatos encontra o seu reflexo natural na personalidade dos artistas. Será por este motivo que alguns entre os maiores expoentes da história da arte tinham uma autêntica paixão pelos felinos. De Frida Kahlo a Andy Warhol, de Henri Matisse a Herni Cartier Bresson, até Picasso e Salvador Dali: todos os retratos de pintores, fotógrafos e grandes designers com os seus fiéis amigos de quatro patas, reunidos no site Flavorwire." 

(tradução livre de minha autoria).

 

Este artigo, contendo um conjunto de 24 fotografias de artistas famosos com os seus gatos, entre as quais a foto acima publicada de Pablo Picasso, pode ser lido na página italiana do L'Huffington Post.

 

Melhor do que um gato são dois gatos

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O gato é um animal social e está acostumado a ter companhia. No seu primeiro período de vida vive com a mãe gata e os seus irmãozinhos, habituando-se à sua família originária e aprendendo com ela. Depois, quando vem inserido num habitat humano, passa a depender de uma nova família, que lhe proporciona tudo, desde um novo espaço, alimentação, higiene, cuidados veterinários, jogos e companhia.

 

Para que se estabeleça uma boa relação entre o gato e a sua nova família humana, é importante que tenha um contato continuado com os humanos nos seus primeiros três meses de vida. É neste breve período que o gato adquire o hábito de convivência e consolida a convenção de que os humanos não são uma presença hostil.

 

Contudo, convém não esquecer que embora o gato aceite voluntariamente a companhia dos humanos e chegue a socializar com eles, não é como o cão que se dispõe mais facilmente a uma relação de submissão e dependência. O gato não reconhece nenhuma superioridade ao homem, necessitando de habituar-se a ele gradualmente, de transcorrer bastante tempo na sua companhia, de receber muitos incentivos (sob a forma de snacks, por exemplo) e frequentes convites a jogar e brincar juntos, mas sempre no respeito das suas exigências felinas.

 

A maioria dos humanos deve dedicar a maior parte do seu tempo aos seus empenhos profissionais e pessoais, permanecendo grande parte do dia no exterior e deixando o gato sozinho em casa por longas horas.  Com o seu caráter independente, a maior parte dos gatos não se importará muito com isso, desde que as suas necessidades primárias sejam satisfeitas e que se sintam seguros. Porém, algumas raças são mais sensíveis a esta questão do que outras. Estou a lembrar-me do burmês o qual é muito “agarrado” ao seu humano e não suporta estar sozinho por muito tempo. Seja como for, o ideal é que nas nossas casas os companheiros gatos sejam sempre aos pares. Deste modo nunca se irão aborrecer e deprimir, mas  brincando e socializando uns com os outros crescerão sem dúvida mais felizes. E isso é o que nós queremos, certo? Quanto a nós, à parte o dobro dos danos na mobília, a alegria e o amor incondicional que receberemos será igualmente a dobrar.

 

Os gatos Lu e Minnie "atacam" de novo

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Mais uma vez tive o enorme prazer de ser a cat sitter do Lu e da Minnie nestes últimos quatro dias. São um bocadinho marotos (ai se o sofá dos seus humanos pudesse falar...) mas tão lindos e fofos!

 

O Lu é o mais tímido dos dois, o que não quer dizer que não faça tropelias.

 

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Já a Minnie é mais atrevidota e pede mimos com mais insistência.

 

O ronronar terapêutico dos gatos

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O ronronar dos gatos é um dos seus mistérios exclusivos. Como produzem aquele som? Na realidade não se trata de um verdadeiro som, visto que não se propaga suficientemente de forma a ser ouvido à distância. Embora alguns gatos consigam ronronar mais “espalhafatosamente” do que outros, regra geral é necessário estar muito perto deles para sentir.

 

Existem diversas teorias. Alguns estudiosos referem que o “ronron” é produzido pela passagem do sangue na veia cava inferior, situada próxima do coração e que serve para transportar o sangue privado de oxigénio das partes inferiores do corpo até ao ventrículo direito. Outros afirmam que é produzido por uma vibração dos músculos da laringe. Basicamente, quando os gatos inspiram e expiram, o diafragma move-se e empurra o ar para a laringe. Chegado a este ponto o ar atravessa a glótide, um órgão cartilagíneo cuja abertura e fecho em conjunto com a passagem do ar provoca aquele som. Durante o ronronar, a glótide abre e fecha dez vezes mais do que na respiração normal. Quem comanda este processo é o “oscilador neural”,  um grupo de neurónios que se coordenam entre si de modo a  impulsionar os músculos da laringe.

 

Durante algumas experiências com gatos, investigadores descobriram que cada sessão de ronrons dura entre 6 e 10 minutos e que todos os gatos, independentemente da raça, produzem vibrações com uma frequência que oscila entre os 20 e os 50 hertz, podendo atingir um máximo de 200 hertz. Em medicina, estas frequências são reconhecidos como “curativas” em caso de fraturas e crescimento dos ossos, alívio da dor, dificuldades respiratórias e inflamações. É possível então extrapolar que os gatos tenham desenvolvido este processo como automedicação, quando se feriam nas suas caçadas noturnas?

 

Pensa-se que acima de tudo emitam estas vibrações para comunicar que estão bem e para exprimirem afeto. Os gatinhos sobretudo durante o alatamento ronronam para agradecer à mãe gata o fornecimento de leite e para a informar que este é ótimo e abundante. A mãe, por sua vez, ronrona como que a responder “perfeito”. Em relação a nós humanos, os gatos, que conservam uma componente infantil para toda a vida, vêem-nos como uma espécie de papá gato ou mamã gata, comunicando connosco deste modo como o fariam com os seus verdadeiros progenitores. Os ronrons também significam “que prazer ver-te”. Muitos gatos, de facto, enroscam-se nos nossos colos e ofertam-nos estes “barulhentos miminhos”, sinais inequívocos de grande e sincero afeto.

 

Porém, é preciso notar que os gatos não ronronam somente quando estão bem e felizes, mas igualmente quando estão doentes e até mesmo em fase terminal das suas vidas. Talvez o façam para se auto acalmarem, uma vez que estas vibrações estimulam a produção de endorfinas, as hormonas que induzem a sensações de bem estar. Assim, podemos supor que quando estamos doentes e o nosso gato vem para junto de nós a ronronar, poderá ser terapêutico? Muito possivelmente, pois estimula a atividade das células ósseas e das células estaminais. De facto, o Professor Clinton Rubin, da State University de New York descobriu em 1999 que quando estamos de pé os músculos contraem-se e vibram a uma frequência entre os 20 e os 50 hertz por segundo, semelhante àquela produzida pelo ronron dos gatos. Esta frequência vibratória é transmitida aos ossos para assinalar que estamos em atividade e pode ser usada para melhorar a densidade óssea. Não é um acaso que cada vez mais se está a dar importância à Pet Therapy não apenas com os cães mas igualmente com os nossos amigos gatos.

 

Companheiros cibernautas gatófilos em destaque este mês:

Associazione Gatti d'Italia